"Queremos ser mais do que uma marca; pretendemos ser um agente de mudança", Lúcia Pereira em entrevista à Marketeer

02 de outubro, 2025

Num mercado de trabalho em constante transformação, onde as expectativas de candidatos e empresas evoluem rapidamente, a forma como uma marca comunica tornou-se tão estratégica quanto os próprios serviços que oferece. A Adecco Portugal tem vindo a trilhar um caminho claro de reposicionamento, apostando numa comunicação mais humana, próxima e relevante, capaz de refletir não só as novas dinâmicas do setor de recursos humanos, mas também os valores e a visão de futuro da marca.

Por Sandra M. Pinto

Em conversa com Lúcia Pereira, diretora de Marketing da Adecco Portugal, exploramos os pilares desta transformação com quem tem liderado essa mudança por dentro. Falamos sobre os desafios de abandonar uma linguagem institucional em prol da autenticidade, o papel crescente do marketing na gestão de talento, a aposta em plataformas como o TikTok, o impacto da inteligência artificial e a importância da personalização na relação com candidatos e clientes. Mais do que uma conversa sobre comunicação, este é um olhar sobre como se constrói uma marca conectada com a realidade das pessoas e preparada para fazer a diferença.

Como definiria a transformação que a Adecco Portugal tem vindo a fazer na forma como se posiciona e comunica no mercado nacional?
Nos últimos anos, a Adecco Portugal tem seguido um reposicionamento estratégico claro, focado em construir uma marca mais próxima, humana e relevante para empresas e profissionais. Acreditamos que comunicar não é apenas transmitir informação, é criar valor, gerar confiança e estabelecer ligações significativas.
O mercado de trabalho evolui rapidamente e as marcas têm de acompanhar. Procuramos estar onde está o talento, falar com autenticidade, partilhar conhecimento útil e abordar temas que realmente interessam: empregabilidade, formação, futuro do trabalho, competências humanas e impacto da tecnologia no recrutamento.
Esta transformação passa também por uma integração maior entre áreas: comunicação institucional, employer branding, marketing digital, PR e thought leadership trabalham de forma articulada, com visão estratégica transversal. O posicionamento da Adecco, centrado nas pessoas, reflete-se em todas as interações – desde campanhas até respostas a jornalistas ou conteúdo digital.
Estamos a escrever um novo capítulo: uma marca conectada com a realidade das pessoas e preparada para contribuir ativamente para um mercado de trabalho mais inclusivo e sustentável.

Quais foram os principais desafios ao mudar a linguagem de uma marca tradicionalmente institucional para uma mais próxima e diferenciadora?
A mudança de linguagem foi uma decisão estratégica. Durante anos, o setor de recursos humanos comunicou de forma formal e distante, algo que não refletia a essência humana do nosso trabalho.
O desafio foi equilibrar proximidade com credibilidade: ser acessíveis sem perder autoridade exigiu alinhamento interno e consistência em todos os pontos de contacto – redes sociais, artigos, comunicados, entrevistas e emails. Hoje comunicamos com clareza, empatia e transparência, criando ligações genuínas e duradouras.

Em que medida considera que a transformação da marca da Adecco é uma resposta às mudanças do mercado e às expectativas dos candidatos e clientes?

A evolução da marca responde às novas dinâmicas do mundo do trabalho. Os candidatos procuram mais do que emprego: querem propósito, equilíbrio e afinidade com valores. Os clientes valorizam parceiros que compreendam tanto o negócio como as pessoas.
Ser claro, próximo e útil não é apenas uma opção de estilo – é uma exigência do mercado. A Adecco comunica como trabalha: com foco, escuta ativa e impacto real, colocando o talento no centro.

Como vê o papel do marketing no setor do recrutamento e gestão de talento hoje?
O marketing deixou de ser apenas suporte para se tornar um pilar estratégico. Num mercado competitivo, onde o talento é escasso e as decisões são cada vez mais emocionais, a forma como uma marca se apresenta e cria relação faz toda a diferença.
Ele amplifica mensagens com propósito, garante consistência e gera valor em cada ponto de contacto – campanhas, artigos ou redes sociais. O marketing conecta estratégia e impacto, marca e pessoas.

Que competências considera essenciais para os profissionais de marketing que atuam neste setor?
Mais do que dominar ferramentas, é essencial compreender o mercado. Este setor exige visão estratégica, sensibilidade para tendências e capacidade de contar histórias relevantes.
É preciso ouvir, interpretar dados, criar conteúdos com significado e adaptar a mensagem a públicos distintos, sempre com autenticidade. Empatia, agilidade e antecipação de tendências são competências-chave.

Que erros comuns vê no marketing das empresas de recursos humanos e como a Adecco evita esses desvios?
Um erro recorrente é comunicar apenas internamente, com linguagem genérica e distante da realidade das pessoas. Outro é apostar em campanhas muito promocionais, sem gerar valor.
Na Adecco, seguimos um princípio simples: comunicar com verdade e utilidade. Partilhamos conhecimento, reforçamos autoridade com experiência prática e colocamos as pessoas no centro. O objetivo não é “parecer bem”, mas criar impacto real e duradouro.

A Adecco tem uma presença ativa e disruptiva no TikTok. O que motivou essa aposta?
A presença no TikTok nasce de um princípio claro: estar onde está o talento. As novas gerações consomem informação de forma diferente e, para ser relevante, temos de nos adaptar.
O TikTok permite quebrar barreiras, descomplicar temas como emprego, carreira e recrutamento, e criar ligação com um público que muitas vezes não se revê na linguagem tradicional do setor.

Que aprendizagens importantes tiveram ao comunicar employer branding num canal tão informal e dinâmico?
A principal aprendizagem foi que autenticidade vale mais que perfeição. No TikTok, o conteúdo tem de ser verdadeiro, direto e útil. Aprendemos que é possível abordar temas sérios – entrevistas, salário, carreira, bem-estar – com leveza, mantendo profundidade.
A marca constrói-se através de proximidade, escuta ativa e capacidade de resposta rápida às dúvidas reais das pessoas.

IN: Marketeer