Alexandra Andrade, líder da consultora de recrutamento Adecco Portugal, é a convidadadeste episódio do podcast “O CEO ê o Limite”. Numa viagem pela carreira que sonhou, diferente da que
acabou por construir, fala das equipas que liderou, das experiências que a transformaram e da forma como vê o futuro.
Natural do Barreiro, onde nasceu no seio de uma família “humilde e trabalhadora”, Alexandra Andrade, atual diretora-geral da Adecco Portugal, a subsidiária nacional da consultora de recrutamento, é a mais nova de três irmãs. Os pais, faz questão de sublinhar, trabalharam toda a vida para lhes dar as oportunidades que eles próprios não tiveram. “Eu só queria um emprego,
porque para os meus pais era muito difícil poder pagar os estudos das três”, confessa.
Alexandra estudou sempre em escolas públicas, formou--se em Sociologia, mas era a criminologia que a fazia sonhar. Depois de concluir a licenciatura, foi nessa área que se tornou mestre, acalentando o sonho de se tornar inspetora da Polícia Judiciária (PJ). “o que eul gostava menos eram os crimes passionais, o que mais me entusiasmava eram infrações económico-financeiras”
recorda.
Chegou a estagiar no Ministério da Justiça, na área da delinquência juvenil, mas quando concluiu a especialização o sonho não aconteceu. “Eu sonhava com trabalho de campo na PJ e naquela altura ainda era muito difícil conseguir isso com um curso de Sociologia”, explica. Acabaria por redirecionar a sua carreira para a área dos recursos humanos. Começou como consultora na Randstad.
Adaptar conhecimentos
"Eu não era a pessoa ideal, vivia longe, demorava no mínimo uma hora e meia a chegar ao trabalho de transportes, todos os dias, e não tinha um curso de Psicologia, mas o meu chefe acreditou em mim, deu-me a oportunidade”, realça a atual líder da Adecco Portugal. Os seus primeiros tempos na consultoria foram de aprendizagem e superação. Nunca esqueceu o sonho da
P.J e importou da sua formação para o mundo do recrutamento a atenção ao detalhe: “Quando comecei a entrevistar candidatos a emprego, os meus colegas diziam que eu fazia relatórios criminais.”
Os anos seguintes foram de crescimento e suplantação. Passou pela Michael Page e pela MSearch, do grupo Multipessoal em funções comerciais e de direção. Em 2017 integrou o grupo Adecco, primeiro como diretora da Spring Professional em Espanha, depois como vice-presidente sénior de recrutamento profissional para a região Sul da Europa. Aprendeu com ambas as experiências internacionais, mas a última, que obrigou à sua realocação em Itália, foi particularmente marcante.“Em Espanha, as minhas equipas ajudaram-me a crescer porque eu aceitei as minhas vulnerabilidades. Defini um objetivo comum e trabalhámos em conjunto. Em Itália aprendi a dizer não ao que não quero e não tolero. Não há dinheiro que pague a nossa família não estar bem nem o sacrifício que eu fazia”, vinca.
Desde 2022 que lidera o grupo Adecco em Portugal. O caminho ensinou-lhe o papel e o lugar que um líder deve ter na organização: “Enquanto líder, sirvo as minhas pessoas e as minhas equipas, é essa a minha função.”
O "CEO ê o Limite” é o podcast de liderança e carreiras do Expresso onde semanalmente mostramos quem são e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses.
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Fonte: Expresso
